30 de agosto de 2021 yukatos

Cyberbullying e seus impactos na saúde mental.

Sob a crença de que podem dizer qualquer coisa online, agressores de todas as idades perseguem, atacam ou humilham pessoas através de dispositivos digitais.

Você já ouviu falar em cyberbullying?

Não é de hoje que esse assunto está em evidência na mídia, quando falamos sobre privacidade que é um direito humano, precisamos falar também sobre os limites da liberdade de expressão.

 A liberdade não pode ser confundida com irresponsabilidade, senão se torna abuso de direito.

Quem compartilha calúnias e mensagens de ódio na internet e até mesmo compartilha vídeos íntimos alheios nas redes sociais, não só ultrapassa o limite da ética, mas também fere os direitos do outro.

 Entendendo melhor a dinâmica do cyberbullying, é importante saber o que é e como funciona o bullying,

já que o prefixo “cyber” indica apenas o contexto em que essa violência acontece: na internet. O “bullying” é um termo inglês usado para definir a prática sistemática de violência contra alguém, sendo cometido através de insultos, ameaças, apelidos pejorativos, agressões físicas e outros

 Ou seja, o cyberbullying é um tipo de ataque que acontece por meio de canais virtuais como redes sociais, aplicativos de mensagens e grupos online. Mensagens de ódio em sites de relacionamentos e jogos eletrônicos, e-mails ameaçadores e perseguição, fazem da prática um ato ainda mais violento ao contar com o anonimato, que facilita a falta de remorso e empatia com a vítima.

 No e-talks do primeiro dia do e-Fest, a psicóloga Danielle Sena Moura falou abertamente da importância sobre o assunto e os impactos do cyberbullying na saúde mental:

 “Uma coisa bastante interessante, é que [o cyberbullying] requer uma certa especialização tecnológica do lado do agressor. Quer dizer que as pessoas, até terem o anonimato garantido para poder fazer essas agressões, precisam conhecer um pouquinho das ferramentas que os agressores utilizam. Isso geralmente acontece com quem está aprendendo a mexer agora no celular, em que a tendência é ser mais vítima do que agressor, já que a prática requer realmente que a pessoa tenha o conhecimento de ferramentas que possam garantir o anonimato.”

 “Uma outra coisa é com relação aos espectadores, porque existe o agressor, a vítima e aquele que fica visualizando o que acontece. O espectador pode estar tanto do lado do agressor quanto da vítima, com o  papel ativo em perpetuar a violência ou cessá-la. Então, diante de injúria, racismo, homofobia, através de comentários e divulgação de fotos que ocorrem na internet, dependendo da forma que o terceiro compartilha, ele pode estar compactuando com o agressor e ajudando a propagar a violência contra a vítima”

“A internet não tem limites, o que acontece agora pode ser espalhado para milhões de pessoas ao mesmo tempo. É muito interessante pensar nessa proporção, já que se  por um lado a internet veio para ajudar as pessoas a se comunicarem melhor,  a velocidade de propagação para coisas ruins e maldosas também existe e realmente acontece.  É difícil, nesse meio tão complexo, pensar nessa questão da segurança, pois as pessoas não estão seguras na internet e isso não é falado.”

 “Alguns grupos costumam sofrer mais ataques do que outros, que são os grupos vulneráveis e viram o alvo de cyberbullying: são  aqueles que podem ter uma renda per capta muito pequena, configurando uma extrema pobreza, pessoas de diferentes etnias, portadores de deficiência, diferenças linguísticas,  migração, alguma doença, aparência física e orientação sexual.”

 Mas apesar da sensação de segurança em que o agressor acredita estar, ele está cometendo um crime e pode ser punido: A prática do cyberbullying é passível de punição por meio do Código Penal quando configura os crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria – Artigo 138 do Código Penal Brasileiro), crime de injúria racial (ataques racistas – Artigo 140 do Código Penal Brasileiro) e exposição de imagens de conteúdo íntimo, erótico ou sexual (Artigo 218-C do Código Penal Brasileiro incluído pela Lei 13.718, de 2018).

 

 Qual é o tipo de atitude que você precisa ter para evitar que seja mais uma vítima de cyberbullying

 

É claro que a vítima de uma agressão nunca deve ser responsabilizada pelo crime, mas existem cuidados para poder se prevenir e evitar ser mais uma vítima, como:

  • Não expor muito a vida pessoal e detalhes nas redes sociais;
  • Evitar a exposição de intimidades na internet e jamais envie fotos íntimas, contendo nudez parcial ou total  para outras pessoas, mesmo que confie nessa pessoa;
  • Em caso de exposição de fotos íntimas na rede, não hesite em procurar uma delegacia registrar imediatamente um boletim de ocorrência;
  • Ao sofrer um ataque virtual, bloqueie imediatamente o agressor;
  • Se for vitimado por alguma agressão, antes de tomar qualquer atitude, converse com seus responsáveis ou algum adulto de sua confiança que possa te apoiar e te auxiliar;

 

Dados de casos de cyberbullying no Brasil

De acordo com um levantamento realizado pelo instituto de pesquisa Ipsos, foi revelado que o Brasil é o segundo no ranking de cyberbullying no mundo. Com mais de 20 mil pessoas entrevistadas em 28 países, constatou-se que no Brasil, 30% dos pais ou responsáveis entrevistados, disseram ter conhecimento de que os filhos já se envolveram ao menos uma vez em casos de cyberbullying.

A Intel Security, uma empresa vinculada à Intel, apontou em uma pesquisa feita com 507 crianças e adolescentes com idades entre 8 e 16 anos, dados relevantes sobre o cyberbullying no Brasil:

66% já foram espectadores em casos de agressão na internet;

21% afirmam ter sofrido cyberbullying;

24% praticaram cyberbullying. Desse grupo:

14% falaram mal de uma pessoa para outra;

13% zombaram de alguém por sua aparência;

7% marcaram alguém em fotos vexatórias;

3% ameaçaram alguém;

3% zombaram alguém por conta de sua sexualidade;

2% postaram intencionalmente sobre eventos em que um colega foi excluído para ele ver que foi excluído.

 

Assista o conteúdo na íntegra e confira o Talk Show sobre Cyberbullying que rolou no e-Fest em nosso canal no YouTube!

 

Patrocinado pela ArcelorMittal e Belgo Bekaert, e com o apoio da Viapol. O e-Fest é Realizado pelo Instituto BNB, pelo Instituto Pronto Falei e pelo Governo do Estado de São Paulo, através da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte.

A ArcelorMittal Brasil é a maior produtora de aços longos e planos da América Latina e faz parte do Grupo ArcelorMittal, líder de aço e de mineração no mundo. A Belgo Bekaert nasceu da parceria estratégica no Brasil entre a ArcelorMittal e a Bekaert, maior produtora mundial de arames.

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